sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O Prof. Gian Danton ensina: personagens são fundamentais numa HQ
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| O Professor Gian Danton |
Gian Danton, nascido Ivan Carlo Andrade de Oliveira (Lavras, 1971), começou com a hq Floresta Negra, com desenhos de Joe
Bennett, na revista Calafrio da editora D-Arte.
Em 1991 ganhou o prêmio Araxá como melhor roteirista. Ganhou os
prêmios Angelo Agostini, HQ Mix e Associação Brasileira de Arte
Fantástica com a graphic novel Manticore, lançada em 1998, sobre o
chupa-cabras.
Atualmente, dedica-se ao estudo das histórias em quadrinhos, com
diversos trabalhos.
É autor do blog Roteiro de quadrinhos, que traz exemplos de roteiros
e textos sobre a arte de escrever roteiros para histórias em
quadrinhos. Também é colaborador da revista MAD.
Em 2010, lançou pela editora Marca de Fantasia o livro O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos. Acaba de publicar o livro Mundo Monstro, pela editora Infinitum.
Abaixo, uma entrevista com o professor sobre roteiro para quadrinhos:
Abaixo, uma entrevista com o professor sobre roteiro para quadrinhos:
Solilóquio Insipiente: Quem é você?
Gian Danton: Meu nome é Ivan Carlo Andrade de Oliveira, mas
sou mais conhecido como Gian Danton. Escrevo quadrinhos desde 1989,
tendo produzido para várias editoras. Também escrevo literatura e
tenho participado de diversa antologias de terror, FC e fantasia. Meu
primeiro romance, Galeão, será publicado em 2013 pela 9Bravos.
SI: Como você começou a trabalhar com quadrinhos?
GD: Em 1989 eu conheci o Bené (Joe Bennett) ao entrevistá-lo
para um trabalho da faculdade. Era para ser uma entrevista rápida,
mas passamos a tarde inteira conversando. Ao final, ele me convidou
para fazermos juntos um fanzine. Foi o Crash!, o primeiro fanzine de
quadrinhos do Pará. Pouco depois ele chegou com uma história
pronta, A Floresta Negra, e perguntou se eu queria colocar texto.
Claro que aceitei. Foi meu primeiro trabalho, publicado na revista
Calafrio.
SI: Qual a importância do roteiro para uma HQ?
GD: Eu costumo dizer que uma pessoa compra um gibi pela
primeira vez por causa do desenho, mas ela só vai continuar
comprando se o roteiro for bom. É o roteiro que fideliza o leitor e
faz ele voltar à banca todos os meses. Há vários exemplos disso.
Sandman, por exemplo, tinha desenhistas fracos no início, mesmo
assim foi um sucesso de vendas. O primeiro desenhista de Walking Dead
era bem fraquinho, mesmo assim a revista foi aumentando as vendas a
ponto de se tornar o maior sucesso dos quadrinhos norte-americanos.
SI: O que é fundamental num bom roteiro?
GD: Difícil escolher uma coisa só. Mas algo fundamental são
personagens sólidos, que parecem reais. O personagem não pode ser
só um boneco fazendo aquilo que o roteiro pede. Tem que ser uma
pessoa, com medos, anseios, história de vida. Os grandes roteiristas
criam essa história de vida até para os personagens secundários.
SI: Você acha possível, e necessário, o desenvolvimento de
uma teoria acadêmica sobre a forma do roteiro de quadrinhos no nível
dos manuais para cinema de Syd Field, Robert Mckee e Doc Comparato,
além do que já foi feito por Will Eisner, Scott McLoud e você
mesmo?
GD: Olha, sempre tem alguma coisa a mais para falar sobre o
assunto. O roteiro para quadrinhos é um tema muito amplo. Vou dar um
exemplo: quando fui convidado para o Muiraquicon (convenção de
quadrinhos de Belém), as inscrições para a minha palestra sobre
roteiro acabaram rápido e os organizadores me pediram para bolar
outra. Acabei fazendo uma palestra só sobre estratégias de textos e
relação com o desenhista, baseada na minha experiência pessoal.
Acabou virando minha palestra mais elogiada pelo público.
SI: Quais HQs são exemplos de bons roteiros?
GD: São muitas, mas vou tentar fazer uma relação com
quadrinhos de todo o mundo: O Eternauta, de Hector Oesterheld
(Argentina), Watchmen e V de Vingança, de Alan Moore (Inglaterra),
Ken Parker, de Berardi (Itália), Lobo Solitário, de Kazuo Koike
(Japão), Tenente Blueberry, de Charlier (França), Esquadrão Atari,
de Gerry Conway (EUA).
SI: Como se tornar um roteirista profissional?
GD: Antes de mais nada, a grande dica para se tornar
roteirista: leia muito e publique. Não importa onde, publique,
mostre seu trabalho. Ninguém nunca vai te convidar para nenhum
trabalho se você não for conhecido. Na minha época a gente
começava nos fanzines, hoje existem os blogs, o Facebook. A minha
série de quadrinhos Exploradores do Desconhecido até hoje só foi
publicada na internet e mesmo assim conseguiu uma legião de fãs e
já fechamos com uma editora que está esperando apenas o desenhista
Jean Okada terminar para publicar esse material.
SI: Como publicar uma história?
GD: Na minha época tinha muitas revistas que compravam
roteiros. Hoje é mais fácil começar participando de antologias,
com as da 9Bravos, ou da Draco.
SI: O mercado vive um bom momento para o roteirista de HQ?
GD: É um momento diferente de quando comecei. Naquela época
os editores compravam os roteiros e isso facilitava por um lado. Por
outro, o pagamento geralmente era baixo. Hoje com os álbuns para
livrarias, abriu-se um novo mercado. Se vender bem, o cara pode até
ganhar bem.
SI: Por fim,
quais seus próximos projetos na área de quadrinhos?
GD: Estou
participando da revista mix de aventura e ficção Mundo Paralelo,
que será vendida em banca com distribuição em todo o território
nacional. Também estou preparando material para a antologia de
quadrinhos da editora Draco. Também tenho feito quadrinhos
institucionais e até roteiro de desenho animado, mas sobre isso não
posso falar muito, por razões de contrato...
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
O primo pobre dos manuais
Este livro é leitura obrigatória para quem quer trabalhar com
roteiro. Ele trata da construção desse instrumento de uma forma
livre, diferentemente do manual do Syd Field, que traz espécies de
fórmulas prontas para o ofício.
Leandro Saraiva e Newton Cannito, nesse autodenominado “Manuel, o
primo pobre dos manuais de cinema e TV”, trata de um jeito muito
bacana de coisas abstratas como ideia e originalidade. É como se
fosse o manual para a etapa pré-escrita.
Assim, ele traz discussões de como se preparar para escrever, de
onde tirar ideias, de descoberta mesmo: Por que fazer esse filme (ou
essa HQ)? E vai discutir temas como os “reinos” do drama,
projeto, a estrutura de três partes, as curvas dramáticas, ritmo,
as linhas dramáticas até a construção de uma cena.
Não é um livro específico para roteiro de quadrinhos, mas, por não
se limitado à estrutura audiovisual, traz conceitos que ajudarão
muito o quadrinista. Livros mais esquemáticos, como o do já citado
Syd Field são muito importantes para se refletir a técnica. Porém,
são livros como este, de Saraiva e Cannito, que nos fazem buscar a
arte.
Autor: Saraiva, Leandro; Cannito, Newton
Editora: Conrad
2004
Categoria: Artes / Cinema
231 páginas
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
O roteiro de Astronauta – Magnetar
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| Astronauta - Magnetar |
Em Astronauta – Magnetar, da Panini, Danilo Beyruth traz a versão para
adultos do famoso aventureiro especial criado por Maurício do Sousa.
O álbum é o primeiro de uma nova série, a Graphic MSP, que tem por
proposta entregar personagens da Turma da Mônica a autores nacionais
com certa dose de liberdade criativa.
Além dos belos desenhos de Beyruth, e da cores de Cris Peter, o
autor demonstra, mais uma vez, um ótimo domínio da narrativa, nos
brindando com um roteiro redondo e cheio de saídas criativas.
Em torno de 70 páginas, ele explora a multidimensionalidade do
Astronauta, isolado no espaço investigando o fenômeno astronômico
do título. A HQ consegue ser explicativa e emocionante, com boas
piadas, ao explorar principalmente os efeitos da solidão do
protagonista.
Há ótimas passagens a serem citadas, como a do
aerolito, que consegue transmitir o silêncio e a “velocidade” da
cena. E claro, a ótima passagem de tempo na sequência da rotina do
Astronauta. É uma cena pura de HQ, daquelas que valorizam a
linguagem, pois ela não pode ser reproduzida da mesma forma em
nenhuma outra mídia: cinema, literatura, por exemplo.
Enfim, um roteiro bem amarrado, com sacadas brilhantes, numa ótima
história.
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012
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